Linfoma: o que é, sintomas, tipos, diagnóstico e tratamento
Conteúdo escrito e revisado por médico hematologista · Revisado em 10 de agosto de 2026Como este conteúdo é feito
Dr. Henrique Pêcego, médico hematologista

Por Dr. Henrique Pêcego — Médico Hematologista | Instagram: @drhenriquepecegohemato

Linfoma é um câncer que nasce no sistema linfático, a rede de defesa do corpo. Ele começa nos linfócitos — um tipo de glóbulo branco responsável por combater infecções — e costuma se manifestar primeiro nas ínguas (os linfonodos). Apesar de assustar, muitos linfomas estão hoje entre os cânceres com maiores chances de cura e controle, sobretudo quando diagnosticados no tempo certo. Existem dois grandes grupos: o linfoma de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin, que se comportam e são tratados de formas diferentes. Neste guia completo, você vai entender, de forma simples, o que é o linfoma, quais são os sinais de alerta, como ele é diagnosticado, quais são os tipos e como funciona o tratamento.


O que é linfoma?

Para entender o linfoma, é preciso conhecer o sistema linfático. Ele é formado por uma rede de vasos finos, pelos linfonodos (as “ínguas” espalhadas pelo corpo), pelo baço, pelo timo e por parte da medula óssea. Esse sistema faz parte da imunidade: transporta um líquido chamado linfa e abriga os linfócitos, células de defesa que nos protegem de vírus e bactérias.

No linfoma, um linfócito sofre uma alteração e passa a se multiplicar de forma descontrolada. Como os linfócitos circulam por todo o corpo, o linfoma pode surgir em quase qualquer lugar — mais comumente nos linfonodos, mas também no baço, na medula ou em outros órgãos. Por isso, a “íngua” que cresce e não desaparece é o sinal mais típico da doença.


Tipos de linfoma: Hodgkin e não Hodgkin

Saber o tipo de linfoma é decisivo, porque cada um se comporta e responde ao tratamento de um jeito. Os dois grandes grupos são:

  • Linfoma de Hodgkin. É menos comum e tem uma marca registrada: uma célula anormal chamada célula de Reed-Sternberg, vista ao microscópio. Costuma se espalhar de forma ordenada, de um linfonodo para o vizinho, e atinge principalmente adultos jovens (por volta dos 20 anos) e pessoas acima dos 55. É um dos cânceres com maiores taxas de cura.
  • Linfoma não Hodgkin. É bem mais comum e reúne dezenas de subtipos. A maioria nasce dos linfócitos B — como o linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), o mais frequente entre os agressivos, e o linfoma folicular, o mais comum entre os indolentes. Alguns partem dos linfócitos T. Atinge mais os adultos mais velhos.

Além dessa divisão, os linfomas não Hodgkin também são classificados pela velocidade: os indolentes crescem devagar e às vezes só precisam de acompanhamento; os agressivos crescem rápido e exigem tratamento imediato — mas, em compensação, respondem muito bem a ele.

Há ainda os linfomas extranodais, que começam fora dos linfonodos — no estômago, no sistema nervoso central ou na pele. O linfoma cutâneo, por exemplo, se manifesta primeiro na pele e costuma ser tratado como eczema durante anos antes de alguém pedir a biópsia certa.

Os dois tipos de linfoma: Hodgkin e não Hodgkin

Nem todo linfoma nasce em um gânglio. Quando ele começa dentro de um órgão, é chamado de extranodal — e o exemplo mais interessante é o linfoma MALT gástrico, ligado a uma bactéria do estômago e que, em boa parte dos casos iniciais, desaparece só com antibiótico.

Sintomas do linfoma: sinais de alerta

O sintoma mais comum do linfoma é o aumento de um linfonodo (íngua), geralmente indolor, no pescoço, na axila ou na virilha, que persiste por semanas. Além disso, existe um conjunto clássico de sinais, chamados sintomas B, que merecem atenção. Portanto, procure avaliação quando houver:

  • Íngua que cresce e não some, sem dor, por mais de duas a três semanas.
  • Febre sem infecção aparente.
  • Suores noturnos intensos, a ponto de molhar a roupa de cama.
  • Perda de peso inexplicada (mais de 10% do peso em seis meses).
  • Cansaço persistente e, às vezes, coceira no corpo sem causa clara.
  • Tosse ou falta de ar, quando há linfonodos aumentados no tórax.

Esses sinais também aparecem em infecções comuns e em situações benignas. No entanto, quando são persistentes, a investigação é fundamental.

Sinais de alerta do linfoma

Como o linfoma é diagnosticado

O diagnóstico do linfoma tem um passo que não pode faltar: a biópsia. Analisar o tecido é o que confirma a doença e define o subtipo. Em geral, os exames seguem esta sequência:

  1. Biópsia do linfonodo. É o exame que confirma o linfoma. Retira-se um linfonodo (ou um fragmento) para análise ao microscópio.
  2. Imuno-histoquímica e testes moleculares. Identificam o subtipo exato e, no caso do Hodgkin, encontram a célula de Reed-Sternberg.
  3. Exames de imagem (PET-CT ou tomografia). Mostram quais regiões do corpo estão comprometidas.
  4. Exame da medula óssea e de sangue. Ajudam a avaliar a extensão da doença e a planejar o tratamento.

Confirmar o tipo e o subtipo é essencial, porque o tratamento muda completamente de um linfoma para outro.

Como o linfoma é diagnosticado

Estadiamento do linfoma (sistema Ann Arbor)

Depois de confirmar o linfoma, o médico define o estágio, que indica o quanto a doença se espalhou. O sistema mais usado é o Ann Arbor (revisão de Lugano):

  • Estágio I: uma única região de linfonodos afetada.
  • Estágio II: duas ou mais regiões, mas do mesmo lado do diafragma.
  • Estágio III: regiões dos dois lados do diafragma.
  • Estágio IV: doença disseminada, atingindo órgãos como medula óssea, fígado ou pulmões.

A cada estágio soma-se uma letra: “A” quando não há sintomas B e “B” quando eles estão presentes. O estágio orienta a intensidade do tratamento.


Tratamento do linfoma

O tratamento do linfoma depende do tipo, do subtipo e do estágio — e, felizmente, evoluiu muito. As principais estratégias são:

  • Quimioterapia. É a base de muitos esquemas. No linfoma de Hodgkin, protocolos consagrados (como o ABVD) alcançam altas taxas de cura.
  • Quimioimunoterapia. Nos linfomas não Hodgkin de células B, combina-se a quimioterapia a um anticorpo anti-CD20 (o rituximabe), como no esquema R-CHOP do linfoma difuso de grandes células B.
  • Radioterapia. Usada em algumas situações, muitas vezes junto da quimioterapia.
  • Observação vigilante. Em linfomas indolentes e sem sintomas, acompanhar de perto pode ser a melhor conduta.
  • Imunoterapia e terapias-alvo. Incluem os inibidores de checkpoint (com papel importante no Hodgkin) e outros medicamentos dirigidos.
  • Terapia com células CAR-T e transplante de medula óssea. Reservados a casos selecionados, sobretudo quando a doença retorna.

Com o tratamento adequado, boa parte dos pacientes atinge a cura ou o controle duradouro da doença.


Prognóstico: o que esperar

O linfoma é um bom exemplo de como o câncer do sangue avançou. O linfoma de Hodgkin está entre os tumores com maiores taxas de cura, mesmo em estágios mais avançados. Entre os não Hodgkin, o linfoma difuso de grandes células B, embora agressivo, é frequentemente curável com o tratamento certo. Os linfomas indolentes, por sua vez, costumam ser controlados por muitos anos. O prognóstico depende do tipo, do estágio e da resposta ao tratamento — e cada caso é único, definido pelo hematologista.


Quando procurar um hematologista

Como o linfoma pode se manifestar de forma discreta, alguns sinais pedem avaliação. Procure um hematologista quando houver:

  • uma íngua que cresce e não desaparece, sem dor, por mais de duas a três semanas;
  • febre, suores noturnos ou perda de peso sem explicação;
  • cansaço persistente ou coceira no corpo sem causa aparente.

Diante desses sinais, a avaliação especializada é o caminho para confirmar (ou afastar) o diagnóstico e começar o tratamento no tempo certo, quando as chances de cura são maiores.

Leia também: o linfoma de Hodgkin, o linfoma não Hodgkin e o nosso guia completo sobre leucemia.

Veja também o guia sobre os linfomas muito agressivos (Burkitt, double-hit e outros), que exigem tratamento urgente.


Perguntas frequentes sobre o linfoma

Linfoma tem cura?

Muitos linfomas têm, sim, altas chances de cura. O linfoma de Hodgkin está entre os cânceres mais curáveis, e vários linfomas não Hodgkin, como o difuso de grandes células B, também são frequentemente curados. Os tipos indolentes costumam ser controlados por longos períodos. As chances dependem do tipo, do estágio e da resposta ao tratamento.

Qual a diferença entre linfoma de Hodgkin e não Hodgkin?

A principal diferença está nas células. O linfoma de Hodgkin tem uma célula típica, a de Reed-Sternberg, e tende a se espalhar de forma ordenada. O não Hodgkin reúne dezenas de subtipos, com comportamentos variados (indolentes ou agressivos). Os tratamentos e o prognóstico também diferem.

Íngua no pescoço é sempre linfoma?

Não. A maioria das ínguas surge por infecções (garganta, dente, resfriados) e desaparece em alguns dias. O sinal de alerta é a íngua que cresce, é indolor e não some após duas a três semanas, especialmente se vier acompanhada de febre, suores noturnos ou perda de peso.

Como o linfoma é diagnosticado?

O diagnóstico exige uma biópsia do linfonodo (ou do tecido afetado), analisada ao microscópio e com imuno-histoquímica. Exames de imagem, como PET-CT, e a avaliação da medula óssea completam o estadiamento e ajudam a planejar o tratamento.

Linfoma é hereditário?

Na maioria dos casos, não. O linfoma costuma surgir por alterações adquiridas ao longo da vida, e não por herança direta. Alguns fatores aumentam o risco (imunidade baixa, certas infecções), mas a maior parte dos casos ocorre sem história familiar.

Todo linfoma precisa de quimioterapia?

Não necessariamente. Linfomas agressivos costumam exigir tratamento imediato, muitas vezes com quimioimunoterapia. Já alguns linfomas indolentes, sem sintomas, podem ser apenas acompanhados de perto (observação vigilante), iniciando o tratamento só quando necessário.


Sobre o autor

Dr. Henrique Pêcego é médico hematologista, especialista em Hematologia, Hemoterapia e Transplante de Medula Óssea, com atuação no diagnóstico e tratamento das doenças do sangue em adultos.

Atua nas áreas de anemia, alterações do hemograma, doenças da medula óssea, leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, síndromes mielodisplásicas e transplante de medula óssea, sempre com abordagem baseada em evidências científicas e atendimento individualizado.

Além da prática clínica, participa de atividades científicas, apresentações em congressos nacionais e internacionais e produção de conteúdo voltado à educação em saúde, com o objetivo de tornar a hematologia mais acessível e compreensível para pacientes e familiares.

CRM-RJ: 5289269-6
RQE: 26589 / 26590

Febre durante a quimioterapia do linfoma não é febre comum. A orientação completa, a mesma que eu dou em consulta, está no texto sobre neutropenia febril.


Aviso importante

As informações disponibilizadas neste artigo têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem consulta médica, exame físico ou avaliação individualizada por um profissional de saúde.

Cada paciente possui características próprias, e a interpretação de exames laboratoriais deve sempre considerar a história clínica, os sintomas, os medicamentos em uso, os exames anteriores e o contexto de cada pessoa.

Em caso de dúvidas sobre seu hemograma ou qualquer alteração identificada no exame, procure avaliação com seu médico ou um hematologista.

Referências

Conteúdo escrito por Dr. Henrique Pêcego, médico hematologista. Última revisão: agosto de 2026. Acompanhe no Instagram: @drhenriquepecegohemato · LinkedIn · X: @henriquepecego.

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