Linfoma de Hodgkin: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento
Conteúdo escrito e revisado por médico hematologista · Revisado em 10 de agosto de 2026Como este conteúdo é feito
Dr. Henrique Pêcego, médico hematologista

Por Dr. Henrique Pêcego — Médico Hematologista | Instagram: @drhenriquepecegohemato

Linfoma de Hodgkin é um câncer do sistema linfático que nasce nos linfócitos B e tem uma marca registrada: a célula de Reed-Sternberg, vista ao microscópio. Ele carrega também outra característica notável — está entre os cânceres com as maiores taxas de cura da medicina, mesmo em estágios avançados. A doença costuma se manifestar como uma íngua que cresce e não desaparece, e atinge principalmente adultos jovens, na faixa dos 20 anos, e pessoas acima dos 55. Neste guia completo, você vai entender, de forma simples, o que é o linfoma de Hodgkin, quais são os sinais de alerta, como ele é diagnosticado e por que o seu tratamento é uma das grandes histórias de sucesso da oncologia. Ele faz parte do nosso guia completo sobre linfoma.


O que é o linfoma de Hodgkin?

O sistema linfático é a rede de defesa do corpo: vasos, linfonodos (as “ínguas”), baço e timo, por onde circulam os linfócitos. No linfoma de Hodgkin, um linfócito B sofre uma transformação e dá origem a uma célula anormal, grande e característica: a célula de Reed-Sternberg. Encontrá-la na biópsia é o que define a doença e a separa de todos os outros linfomas.

Outra particularidade importante: o linfoma de Hodgkin costuma se espalhar de forma ordenada e previsível, de uma cadeia de linfonodos para a vizinha — diferente do linfoma não Hodgkin, que pode surgir em vários pontos. Essa previsibilidade ajuda no planejamento do tratamento.

A doença tem dois picos de idade: adultos jovens (15 a 35 anos) e pessoas acima dos 55. Entre os fatores associados estão a infecção pelo vírus Epstein-Barr (o vírus da mononucleose), quedas importantes da imunidade e, raramente, história familiar. Na maioria dos casos, porém, não há uma causa identificável — e ter tido mononucleose não significa que a pessoa vá desenvolver a doença.


Subtipos: clássico e predomínio linfocitário

O linfoma de Hodgkin se divide em dois grandes grupos:

  • Linfoma de Hodgkin clássico. Representa cerca de 9 em cada 10 casos e inclui quatro formas (esclerose nodular, a mais comum; celularidade mista; rico em linfócitos; e depleção linfocitária). É o grupo com o tratamento mais bem estabelecido.
  • Predomínio linfocitário nodular. É raro, cresce muito devagar e se comporta quase como um linfoma indolente. O tratamento costuma ser diferente do clássico — às vezes, apenas acompanhamento ou abordagens mais leves.

Sintomas do linfoma de Hodgkin: sinais de alerta

O sinal mais comum do linfoma de Hodgkin é uma íngua indolor que cresce e não some, geralmente no pescoço, acima da clavícula ou nas axilas. Além disso, valem atenção os chamados sintomas B e outros sinais:

  • Íngua persistente e indolor por mais de duas a três semanas.
  • Febre sem infecção que explique.
  • Suores noturnos intensos, que molham a roupa de cama.
  • Perda de peso inexplicada (mais de 10% em seis meses).
  • Coceira no corpo persistente, às vezes intensa.
  • Cansaço fora do comum.
  • Tosse, falta de ar ou dor no peito, quando há linfonodos aumentados no tórax (mediastino) — comum nos jovens.
  • Um sinal curioso e raro: dor na íngua após ingerir bebida alcoólica.

Esses sintomas também aparecem em muitas situações benignas. No entanto, quando persistem, a investigação é fundamental — e, no Hodgkin, diagnosticar cedo significa tratar com menos intensidade.

Sinais de alerta do linfoma de Hodgkin

Como o linfoma de Hodgkin é diagnosticado

O diagnóstico do linfoma de Hodgkin segue uma sequência bem definida:

  1. Biópsia do linfonodo (preferencialmente excisional). Retira-se o linfonodo inteiro para análise. É o exame que confirma a doença, ao revelar a célula de Reed-Sternberg.
  2. Imuno-histoquímica. Identifica os marcadores típicos das células (como CD30 e CD15) e define o subtipo.
  3. PET-CT. É o exame de imagem padrão: mostra todas as áreas comprometidas e define o estágio (sistema Ann Arbor, de I a IV, com “A” ou “B” conforme os sintomas).
  4. Exames de sangue e avaliação geral. Hemograma, provas inflamatórias (como VHS), função dos órgãos e avaliação do coração e do pulmão — importantes porque alguns quimioterápicos exigem esse cuidado.

Com o estágio definido, o hematologista separa a doença em inicial favorável, inicial desfavorável ou avançada — e é isso que orienta a intensidade do tratamento.

Como o linfoma de Hodgkin é diagnosticado

Tratamento do linfoma de Hodgkin

Aqui está a melhor parte da história. O tratamento do linfoma de Hodgkin é um dos mais bem-sucedidos da oncologia, e hoje é adaptado pela resposta ao PET-CT — ou seja, o próprio exame mostra se dá para reduzir (ou se é preciso intensificar) o tratamento. As principais estratégias são:

  • Quimioterapia (esquema ABVD). É a base clássica. Na doença inicial favorável, bastam poucos ciclos (2 a 4), às vezes seguidos de radioterapia dirigida; na inicial desfavorável, 4 a 6 ciclos.
  • PET-CT no meio do caminho (terapia adaptada). Após 2 ciclos, o exame reavalia a resposta e permite personalizar o restante do tratamento.
  • Doença avançada. Usam-se combinações mais potentes, como o brentuximabe vedotina + AVD ou o nivolumabe + AVD, que incorporaram a terapia-alvo e a imunoterapia à primeira linha.
  • Radioterapia de campo envolvido. Aplicada em áreas selecionadas, em doses e volumes cada vez menores, para reduzir efeitos em longo prazo.
  • Recaída ou doença resistente. Quimioterapia em altas doses seguida de transplante autólogo de medula óssea, além de brentuximabe vedotina (anticorpo dirigido ao CD30) e dos inibidores de checkpoint (nivolumabe, pembrolizumabe) — imunoterapias com excelente atividade no Hodgkin.

Com essas estratégias, a grande maioria dos pacientes alcança a cura — inclusive boa parte dos que recaem.

Tratamento do linfoma de Hodgkin

A VHS entra no linfoma de Hodgkin como fator prognóstico, e não como exame de diagnóstico. Para entender o que ela realmente mede — e por que um número alto isolado explica pouco —, veja o artigo sobre VHS alto e PCR alta.

Prognóstico: o que esperar

O linfoma de Hodgkin está entre os cânceres com melhores resultados da medicina. Nos estágios iniciais, as taxas de cura ultrapassam 90%; mesmo na doença avançada, a maioria dos pacientes fica livre da doença. Por isso, uma parte crescente do cuidado se volta para depois da cura: acompanhar efeitos tardios do tratamento (coração, pulmões, tireoide e segundos tumores) e preservar a fertilidade e a qualidade de vida — temas que o hematologista discute antes mesmo de começar. Em resumo: diagnóstico no tempo certo, tratamento completo e seguimento em longo prazo.


Quando procurar um hematologista

Procure avaliação especializada quando houver:

  • uma íngua indolor que cresce e não desaparece após duas a três semanas, sobretudo no pescoço ou acima da clavícula;
  • febre, suores noturnos ou perda de peso sem explicação;
  • coceira persistente ou tosse e falta de ar sem causa aparente.

Quanto mais cedo o diagnóstico do linfoma de Hodgkin, menos intenso tende a ser o tratamento — e maiores as chances de cura com menos efeitos em longo prazo.

Leia também: o guia completo sobre linfoma, o linfoma não Hodgkin e o nosso guia sobre leucemia.


Perguntas frequentes sobre o linfoma de Hodgkin

Linfoma de Hodgkin tem cura?

Sim — e com frequência. Ele está entre os cânceres mais curáveis: nos estágios iniciais, as taxas de cura passam de 90%, e mesmo na doença avançada a maioria dos pacientes fica livre da doença. Até nas recaídas há boas opções, como o transplante autólogo e as imunoterapias.

O que é a célula de Reed-Sternberg?

É uma célula grande e anormal, derivada dos linfócitos B, encontrada na biópsia. Ela é a marca registrada do linfoma de Hodgkin — identificá-la é o que confirma o diagnóstico e diferencia a doença dos linfomas não Hodgkin.

Qual a diferença entre linfoma de Hodgkin e não Hodgkin?

O Hodgkin tem a célula de Reed-Sternberg, espalha-se de forma ordenada e tem tratamento muito padronizado, com altas taxas de cura. O não Hodgkin reúne dezenas de subtipos, com comportamentos e tratamentos variados. A biópsia é o que distingue um do outro.

Quem tem mais risco de linfoma de Hodgkin?

A doença tem dois picos: adultos jovens (15 a 35 anos) e pessoas acima dos 55. Infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr, imunidade comprometida e história familiar aumentam um pouco o risco — mas a maioria dos casos surge sem causa identificável.

Como o linfoma de Hodgkin é tratado?

A base é a quimioterapia (como o esquema ABVD), guiada pelo PET-CT, às vezes com radioterapia dirigida. Na doença avançada, combinações com brentuximabe ou nivolumabe entraram na primeira linha. Nas recaídas: transplante autólogo e imunoterapia.

O tratamento afeta a fertilidade?

Pode afetar, dependendo do esquema e da dose — por isso, a preservação da fertilidade (congelamento de sêmen ou óvulos) deve ser discutida antes de iniciar o tratamento, sempre que possível. É uma conversa de rotina com o hematologista, especialmente nos pacientes jovens.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Portanto, não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento com um médico. Se você tem sintomas ou dúvidas sobre seus exames, procure um hematologista.


Sobre o autor

Dr. Henrique Pêcego é médico hematologista, especialista em Hematologia, Hemoterapia e Transplante de Medula Óssea, com atuação no diagnóstico e tratamento das doenças do sangue em adultos.

Atua nas áreas de anemia, alterações do hemograma, doenças da medula óssea, leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, síndromes mielodisplásicas e transplante de medula óssea, sempre com abordagem baseada em evidências científicas e atendimento individualizado.

Além da prática clínica, participa de atividades científicas, apresentações em congressos nacionais e internacionais e produção de conteúdo voltado à educação em saúde, com o objetivo de tornar a hematologia mais acessível e compreensível para pacientes e familiares.

CRM-RJ: 5289269-6
RQE: 26589 / 26590

O linfoma de Hodgkin está entre as causas menos comuns de eosinófilos altos no exame — bem atrás de parasitose, alergia e medicamentos.


Aviso importante

As informações disponibilizadas neste artigo têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem consulta médica, exame físico ou avaliação individualizada por um profissional de saúde.

Cada paciente possui características próprias, e a interpretação de exames laboratoriais deve sempre considerar a história clínica, os sintomas, os medicamentos em uso, os exames anteriores e o contexto de cada pessoa.

Em caso de dúvidas sobre seu hemograma ou qualquer alteração identificada no exame, procure avaliação com seu médico ou um hematologista.


Referências

Conteúdo escrito por Dr. Henrique Pêcego, médico hematologista. Última revisão: agosto de 2026. Acompanhe no Instagram: @drhenriquepecegohemato · LinkedIn · X: @henriquepecego.

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