Trombose: sintomas, causas e quando procurar um hematologista
Conteúdo escrito e revisado por médico hematologista · Revisado em 6 de agosto de 2026Como este conteúdo é feito
Dr Henrique Nunes Pêcego em frente a um quadro negro

Por Dr. Henrique Pêcego — Médico Hematologista | Instagram: @drhenriquepecegohemato

A trombose acontece quando um coágulo de sangue se forma dentro de uma veia ou artéria e atrapalha ou mesmo bloqueia a passagem do sangue. Ela costuma aparecer nas veias das pernas, pode passar despercebida no começo e, em alguns casos, se torna uma emergência. A boa notícia é que, quando reconhecida e tratada a tempo, a maioria das pessoas se recupera bem. Neste guia eu explico, de um jeito simples, os sinais para ficar de olho, o que aumenta o risco, como é o tratamento e — importante — quando vale a pena procurar um hematologista.


O que é trombose?

Trombose é a formação de um coágulo (trombo) dentro de um vaso sanguíneo, bloqueando total ou parcialmente a circulação naquele ponto. O tipo mais comum é a trombose venosa profunda (TVP), que atinge as veias profundas das pernas ou da coxa.

Existe também a trombose arterial (ligada a infarto e AVC), mas, quando as pessoas falam de “trombose” no dia a dia, quase sempre estão se referindo à trombose venosa — e é nela que vamos focar aqui.

O problema da TVP não é só o desconforto na perna. O risco maior é o êmbolo, ou um pedaço dele, se soltar e viajar até o pulmão, causando uma embolia pulmonar — uma situação grave. Por isso a trombose merece atenção e nunca deve ser tratada por conta própria.


Principais sintomas da trombose (na perna)

A trombose venosa costuma dar sinais em uma perna só. Fique atento a:

  • Inchaço na panturrilha, no tornozelo, no pé ou na coxa — geralmente de um lado só.
  • Dor ou sensibilidade, muitas vezes na panturrilha, que piora ao ficar em pé ou caminhar.
  • Sensação de calor na região afetada.
  • Vermelhidão ou mudança na cor da pele.
  • Veias mais salientes logo abaixo da pele.

Um alerta importante: nem toda trombose dá sintomas claros, e nem toda dor na perna é trombose. Como não dá para ter certeza em casa, na dúvida o caminho é procurar avaliação médica.

Infográfico com os sinais de trombose na perna: inchaço em uma perna, dor na panturrilha, calor, vermelhidão e veias salientes

Sinais de alerta: quando a trombose vira emergência

Se o coágulo se solta e chega aos pulmões, acontece a embolia pulmonar, que é uma emergência médica. Apesar disso, os sintomas podem ser variados e leves a depender do grau de acometimento pulmonar acometido. Procure atendimento imediato (pronto-socorro / SAMU 192) se surgir:

  • Falta de ar súbita, sem explicação.
  • Dor no peito, que costuma piorar ao respirar fundo.
  • Tosse com sangue.
  • Coração acelerado (palpitações).
  • Tontura, desmaio ou sensação de que vai desmaiar.

Não espere para ver se melhora sozinho. Nesses casos, cada minuto conta.

Infográfico sobre quando a trombose é emergência, com os sinais de embolia pulmonar

O que causa trombose? Os fatores de risco

O coágulo se forma quando três condições se combinam (a chamada tríade de Virchow): lesão na parede da veia, sangue com tendência aumentada a coagular e circulação mais lenta. Na prática, isso se traduz nos fatores de risco abaixo:

CategoriaO que aumenta o risco
Imobilidade / circulação lentaViagens longas (avião, ônibus, carro), ficar muito tempo acamado, pós-operatório
Cirurgias e internaçõesCirurgias de grande porte, principalmente de quadril, joelho e abdome
Alterações da coagulaçãoTrombofilias (tendência hereditária a coagular), câncer e seu tratamento
HormôniosAnticoncepcional e terapia de reposição hormonal
Gravidez e pós-partoO corpo naturalmente coagula mais nessa fase
Estilo de vida e saúdeTabagismo, obesidade, idade acima de 40 anos, desidratação
HistóricoTrombose anterior, casos de trombose na família, varizes

Ter um fator de risco não significa que você vai ter trombose — mas quanto mais fatores se somam, maior a atenção que o tema pede.

Infográfico com os fatores de risco da trombose

Uma observação sobre as plaquetas: contagem alta no hemograma raramente é a causa de uma trombose. Quando a elevação é reativa, ela praticamente não muda o risco — o que pesa é a doença de base. Expliquei essa diferença no guia sobre plaquetas altas.

Como é feito o diagnóstico

Só o exame confirma a trombose. Os principais são:

  • Ultrassom com Doppler: é o exame principal. Mostra o fluxo de sangue na veia e se há um coágulo. É simples, rápido e não usa radiação.
  • Exame de sangue D-dímero: mede uma substância que sobe quando há coágulos no corpo. Quando vem normal, ajuda a afastar o diagnóstico.
  • Angiotomografia (angio-TC): usada principalmente quando há suspeita de embolia pulmonar, para olhar os vasos do pulmão.

Qual o tratamento da trombose

O tratamento gira em torno dos anticoagulantes. Eles não dissolvem o coágulo de imediato, mas impedem que ele cresça e que novos se formem, enquanto o próprio corpo vai reabsorvendo o trombo aos poucos.

  • Anticoagulantes: injetáveis (heparina de baixo peso molecular) no início e/ou orais (DOACs ou varfarina) na manutenção.
  • Meias de compressão: ajudam no inchaço e na circulação e reduzem o risco de sequelas.
  • Casos selecionados: medicamentos que dissolvem o coágulo (trombolíticos) ou filtro de veia cava, quando o anticoagulante não pode ser usado.

Uma dúvida comum: por quanto tempo tomar o anticoagulante? Depende da causa. Uma trombose provocada por uma situação passageira pode ser tratada por alguns meses; já quem tem trombose sem causa aparente, casos repetidos ou uma trombofilia pode precisar de tratamento prolongado. Essa decisão é sempre individual e feita com o médico.


Como prevenir a trombose

Boa parte das tromboses pode ser evitada com atitudes simples, especialmente nos momentos de maior risco:

  • Em viagens longas: levante-se e caminhe a cada 1–2 horas, mexa os tornozelos com frequência e beba bastante água.
  • Após cirurgias ou internações: movimente-se cedo e use as meias de compressão ou os medicamentos preventivos, se prescritos.
  • No dia a dia: evite ficar muitas horas parado, não fume, mantenha o peso sob controle e cuide de condições como pressão e diabetes.

Quando procurar um hematologista

O hematologista é o especialista no sangue e na coagulação — e há situações em que a avaliação dele faz diferença de verdade. Vale procurar um hematologista quando a trombose:

  • Aconteceu sem uma causa clara (sem cirurgia, viagem longa ou outro gatilho evidente).
  • Se repetiu (mais de um episódio ao longo da vida).
  • Apareceu em uma pessoa jovem.
  • Ocorreu em locais incomuns (por exemplo, veias do abdome ou do braço).
  • Vem acompanhada de histórico familiar forte de trombose.

Nesses casos, pode ser indicado investigar uma trombofilia — uma predisposição, muitas vezes herdada, a formar coágulos. O hematologista também orienta o tempo de anticoagulação, ajusta o tratamento em situações especiais (como gravidez e câncer) e ajuda no planejamento de uma futura gestação em quem já teve trombose. Ou seja: ele ajuda a entender por que a trombose aconteceu e como reduzir a chance de ela voltar além de ajudar na definição do uso do anticoagulante crônicamente ou não.


Leia também: Plaquetas baixas: causas, sinais de alerta e quando se preocupar e Anemia: sintomas, tipos e quando se preocupar.

Vários tratamentos do mieloma múltiplo aumentam o risco de trombose — por isso a prevenção faz parte do acompanhamento.

Perguntas frequentes sobre trombose

Trombose tem cura?

Na maioria dos casos, sim. Com o tratamento anticoagulante, o corpo reabsorve o coágulo ao longo dos meses e a pessoa se recupera bem. O segredo é tratar a tempo e, quando necessário, investigar e corrigir a causa para evitar que volte.

Trombose na perna é perigosa?

Pode ser, principalmente pelo risco de o coágulo se soltar e causar uma embolia pulmonar. Por isso a trombose não deve ser ignorada nem tratada por conta própria: quanto mais cedo o diagnóstico, menor o risco.

Como saber se é trombose ou só uma dor na perna?

Os sinais mais típicos são inchaço em uma perna, dor ou sensibilidade na panturrilha, calor e vermelhidão. Mas muitas outras causas provocam dor na perna, e só o ultrassom com Doppler confirma. Na dúvida, procure avaliação médica.

Quem tem trombose pode viajar de avião?

Em geral sim, desde que com orientação médica e o tratamento em dia. Ajuda mexer as pernas com frequência, hidratar-se bem e, se indicado, usar meias de compressão. Converse com seu médico antes de viagens longas.

Anticoagulante é para sempre?

Nem sempre. Alguns casos são tratados por poucos meses; outros, como trombose recorrente, trombofilia ou câncer, podem exigir anticoagulação por tempo prolongado. Essa decisão é individual e cabe ao médico.

Quando devo procurar um hematologista?

Quando a trombose acontece sem causa clara, se repete, surge em pessoa jovem, aparece em locais incomuns ou há histórico familiar. Nessas situações, vale investigar uma trombofilia e alinhar o melhor plano de tratamento e prevenção.


Sobre o autor

Dr. Henrique Pêcego é médico hematologista, especialista em Hematologia, Hemoterapia e Transplante de Medula Óssea, com atuação no diagnóstico e tratamento das doenças do sangue em adultos.

Atua nas áreas de anemia, alterações do hemograma, doenças da medula óssea, leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, síndromes mielodisplásicas e transplante de medula óssea, sempre com abordagem baseada em evidências científicas e atendimento individualizado.

Além da prática clínica, participa de atividades científicas, apresentações em congressos nacionais e internacionais e produção de conteúdo voltado à educação em saúde, com o objetivo de tornar a hematologia mais acessível e compreensível para pacientes e familiares.

CRM-RJ: 5289269-6
RQE: 26589 / 26590

Duas leituras que ajudam a entender a investigação de uma trombose sem causa aparente: a policitemia vera, uma das causas hematológicas, e o coagulograma alterado, que explica por que o anticoagulante lúpico alarga o exame e ainda assim favorece trombose.


Aviso importante

As informações disponibilizadas neste artigo têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem consulta médica, exame físico ou avaliação individualizada por um profissional de saúde.

Cada paciente possui características próprias, e a interpretação de exames laboratoriais deve sempre considerar a história clínica, os sintomas, os medicamentos em uso, os exames anteriores e o contexto de cada pessoa.

Em caso de dúvidas sobre seu hemograma ou qualquer alteração identificada no exame, procure avaliação com seu médico ou um hematologista.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde. Se você tem sinais de trombose, procure atendimento médico; diante de sinais de embolia pulmonar (falta de ar súbita, dor no peito, tosse com sangue), procure emergência imediatamente.

Referências

Conteúdo escrito por Dr. Henrique Pêcego, médico hematologista. Última revisão: agosto;2026 | Acompanhe conteúdos sobre hematologia no Instagram @drhenriquepecegohemato ou saiba mais [sobre o autor] · LinkedIn · X: @henriquepecego.

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