
Por Dr. Henrique Pêcego — Médico Hematologista | Instagram: @drhenriquepecegohemato
Os leucócitos, ou glóbulos brancos, são as células de defesa do seu corpo — o “exército” que combate infecções. Quando o hemograma mostra os níveis altos ou baixos, é natural ficar preocupado, mas o resultado quase sempre precisa ser lido junto com o restante do exame e com os seus sintomas. Neste guia, o Dr. Henrique Pêcego explica, em linguagem simples, o que são essas células, quais os valores de referência, os 5 tipos de glóbulos brancos e o que significa cada um estar alto ou baixo.
Se quiser entender o exame de sangue por completo, comece pelo nosso guia como entender o seu hemograma.
O que são os leucócitos (glóbulos brancos)
Os leucócitos são células produzidas na medula óssea e que circulam pelo sangue e pelos tecidos protegendo o organismo contra vírus, bactérias, fungos e outras ameaças. Diferente das plaquetas, que cuidam da coagulação, e das hemácias, que transportam oxigênio, essas células são o núcleo do sistema de defesa (imunológico). O hemograma mede o número total e também a proporção de cada tipo — a parte do exame chamada leucograma ou contagem diferencial.
Valores de referência dos leucócitos
Em um adulto saudável, a contagem total costuma ficar entre 4.000 e 11.000 por microlitro (µL) de sangue. Acima disso chamamos de leucocitose; abaixo, de leucopenia. Os valores podem variar um pouco conforme o laboratório, a idade e a situação de saúde.

Sempre confira os valores de referência impressos no seu exame, pois variam de um laboratório para outro.
Tipos de glóbulos brancos e o que cada um revela
Cada tipo de glóbulo branco tem uma função. Saber qual deles está alterado ajuda o médico a entender o que pode estar acontecendo.

1. Neutrófilos
São os mais numerosos e a primeira linha de defesa contra bactérias e fungos. Sobem principalmente em infecções bacterianas (neutrofilia). Quando ficam muito baixos (neutropenia), a defesa contra infecções cai e o cuidado precisa ser redobrado.
2. Linfócitos
São os grandes responsáveis pela defesa contra vírus e pela “memória” imunológica (incluem as células que produzem anticorpos). Podem subir ou descer em infecções virais (linfocitose ou linfopenia), como mononucleose e outras viroses.
Os linfócitos rendem um capítulo próprio: reuni as causas de linfócitos altos e baixos — e o que diferencia uma linfocitose de virose de uma que precisa ser investigada — em um guia à parte.
3. Monócitos
Funcionam como “faxineiros” que englobam micro-organismos e restos de células. Podem aumentar em infecções crônicas, na fase de recuperação de uma infecção e em algumas doenças inflamatórias.
4. Eosinófilos
Sobem tipicamente em alergias (rinite, asma, alergias de pele) e em verminoses (parasitoses). Um eosinófilo elevado costuma direcionar a investigação para esses dois grupos de causas.
5. Basófilos
São os menos numerosos. Participam de reações alérgicas e inflamatórias, liberando substâncias como a histamina. Alterações isoladas são menos comuns e devem ser avaliadas pelo médico.
Valores altos (leucocitose): principais causas
Leucócitos acima de 11.000/µL nem sempre indicam algo grave — muitas vezes é apenas o corpo reagindo. As causas mais comuns são:

- Infecções (especialmente bacterianas) e inflamações — a causa mais frequente.
- Estresse físico ou emocional: febre, cirurgia, trauma, exercício intenso.
- Medicamentos, como corticoides.
- Alergias e parasitoses (à custa de eosinófilos).
- Tabagismo e obesidade.
- Doenças autoimunes.
- Após a retirada do baço.
- Menos comum, porém importante: doenças da medula óssea (leucemia, linfoma), geralmente com contagens muito altas e outras alterações no hemograma.
Valores baixos (leucopenia): principais causas
Leucócitos abaixo de 4.000/µL merecem atenção porque podem reduzir a defesa do organismo. Principais causas:
- Infecções virais: gripe, dengue, hepatites, HIV.
- Quimioterapia, radioterapia e alguns medicamentos.
- Doenças autoimunes, como o lúpus.
- Doenças da medula óssea: aplasia de medula, mielodisplasia, leucemias.
- Deficiências nutricionais, como falta de vitamina B12 e ácido fólico.
- Infecções muito graves (sepse), que podem consumir os leucócitos.
Quando se preocupar: sinais de alerta para a saúde
O ponto mais delicado é a neutropenia (neutrófilos muito baixos), porque aumenta bastante o risco de infecções. Procure atendimento com urgência se você tiver leucócitos/neutrófilos baixos (por exemplo, em quimioterapia) e apresentar:
- Febre (o principal sinal — chamada neutropenia febril, uma emergência).
- Calafrios, dor de garganta ou tosse intensa.
- Ardência ou dor ao urinar.
- Qualquer sinal de infecção que não melhora.
Leucócitos muito altos e persistentes, ou acompanhados de emagrecimento, suor noturno, gânglios (ínguas) aumentados e cansaço, também devem ser investigados por um hematologista.
Como é feito o diagnóstico
O leucograma faz parte do hemograma comum. O médico avalia o número total e a proporção de cada tipo de leucócito, junto com hemácias e plaquetas, os seus sintomas e o histórico de saúde. Muitas vezes o próprio contexto (uma gripe, uma cirurgia recente) já explica a alteração; em outros casos, pode ser necessário repetir o exame e solicitar exames complementares.
Leia também: Leucemia: o que é, tipos, sintomas e tratamentos (guia completo) e o guia sobre linfócitos altos e baixos.
Perguntas frequentes (FAQ)
Leucócitos altos significam infecção? Na maioria das vezes, sim — infecções e inflamações são a causa mais comum. Mas estresse, cirurgia, medicamentos e outras situações também elevam os leucócitos. Só o médico, olhando o exame completo, define o significado.
Leucócitos altos podem ser leucemia? Podem, mas é uma causa menos comum. Na leucemia, a contagem costuma estar muito elevada e acompanhada de outras alterações no hemograma. A avaliação de um hematologista esclarece.
Leucócitos baixos são perigosos? Dependem do valor e da causa. O maior risco é quando os neutrófilos ficam muito baixos (neutropenia), pois aumenta a chance de infecções. Febre nessa situação é sinal de emergência.
O que fazer para aumentar os leucócitos? Não há uma “receita” rápida — o foco é tratar a causa (uma virose que passa, uma deficiência de vitamina que é corrigida, um medicamento que é ajustado). Alimentação equilibrada ajuda, mas o acompanhamento médico é essencial.
Estresse pode alterar os leucócitos? Sim. Estresse físico (cirurgia, trauma, exercício intenso) e situações agudas podem elevar temporariamente os leucócitos.
Gripe baixa ou aumenta os leucócitos? Infecções virais como a gripe podem elevar ou diminuir os linfócitos e, em alguns casos, reduzir a contagem total de leucócitos. A interpretação depende do conjunto do exame.
Sobre o autor
Dr. Henrique Pêcego é médico hematologista, especialista em Hematologia, Hemoterapia e Transplante de Medula Óssea, com atuação no diagnóstico e tratamento das doenças do sangue em adultos.
Atua nas áreas de anemia, alterações do hemograma, doenças da medula óssea, leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, síndromes mielodisplásicas e transplante de medula óssea, sempre com abordagem baseada em evidências científicas e atendimento individualizado.
Além da prática clínica, participa de atividades científicas, apresentações em congressos nacionais e internacionais e produção de conteúdo voltado à educação em saúde, com o objetivo de tornar a hematologia mais acessível e compreensível para pacientes e familiares.
CRM-RJ: 5289269-6
RQE: 26589 / 26590
Entre os leucócitos, os eosinófilos merecem um capítulo à parte, porque no Brasil o aumento deles aponta para causas bem específicas: veja eosinófilos altos no exame.
Leucócitos muito baixos com febre são uma situação à parte, com relógio: veja o texto sobre neutropenia febril.
Aviso importante
As informações disponibilizadas neste artigo têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem consulta médica, exame físico ou avaliação individualizada por um profissional de saúde.
Cada paciente possui características próprias, e a interpretação de exames laboratoriais deve sempre considerar a história clínica, os sintomas, os medicamentos em uso, os exames anteriores e o contexto de cada pessoa.
Em caso de dúvidas sobre seu hemograma ou qualquer alteração identificada no exame, procure avaliação com seu médico ou um hematologista.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde. Se você recebeu um resultado de plaquetas baixas, converse com o seu médico. Em caso de sangramento importante, procure um serviço de emergência
Referências
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) — Considerações gerais sobre os glóbulos brancos
- Cleveland Clinic — Leukocytosis (High White Blood Cell Count)
- Cleveland Clinic — Low White Blood Cell Count (Leukopenia)
- Medscape / eMedicine — Leukocyte Count (WBC): Reference Range
Conteúdo escrito por Dr. Henrique Pêcego, médico hematologista. Última revisão: julho de 2026 | Acompanhe conteúdos sobre hematologia no Instagram @drhenriquepecegohemato ou saiba mais sobre o autor · LinkedIn · X: @henriquepecego.

